Onde a demonstração não é deixada como exercício para o leitor.

Exercício 6, Capítulo 1, Curso de Física Básica Vol. 2: reservatório prisma

Moysés Nussenzveig

Curso de Física Básica – 4a Edição

Capítulo 1: Estática dos Fluidos

Exercício 6:

Enunciado:

Um reservatório tem a forma de um prisma, cujas faces ABCD e AʹBʹCʹDʹ são trapézios isósceles com as dimensões indicadas na Figura P.5; as demais faces são retangulares. O reservatório está cheio até o topo de um líquido com densidade $\rho$… para ter acesso ao enunciado completo, cheque a disponibilidade do livro na biblioteca da sua instituição de ensino. O livro também pode ser adquirido através desse link.

Dados relevantes fornecidos no enunciado:

  • O reservatório está cheio até o topo;
  • A altura é $h$, e a densidade do líquido é $\rho$.
  • Item (a):

    A pressão exercida na base depende da altura da coluna de líquido. Sabendo que a altura do reservatório é $h$, e que ele está cheio até o topo, a pressão na base é:

    $$
    P = \rho g h
    \tag{1}$$

    A força $F$ é dada por $F = P A$, onde $A$ é a área sobre a qual a força é exercida. Considerando a figura mostrada no exercício, a área da base é simplesmente $A = ab$, logo podemos escrever $F$ como:

    $$
    \boxed{F = \rho g h a b}
    \tag{2}$$

    Item (b):

    Segundo o livro, a força exercida sobre uma área sob pressão de um líquido é:

    $$
    d\vec{F} = -P\hat{n}dA
    \tag{3}$$

    Onde $P$ é a pressão, $\hat{n}$ é o vetor unitátio normal à superfície, e $dA$ o elmento de área. Para calcular a força resultante sobre todas as paredes, devemos usar a equação anterior para calcular a força em todas as paredes do reservatório e somar os resultados.

    Note que algumas das forças não precisam ser calculadas:

  • Na parede superior, não há coluna de líquido exercendo pressão, logo a força é nula;
  • As forças sobre as paredes verticais (sem inclinação), são opostas e se cancelam, pois os vetores $\hat{n}$ da equação 3 apontam para direções opostas em cada uma dessas paredes.

    Nos resta, então, calcular a força sobre as paredes inclinadas.

    Considerando a equação 3, podemos escrever:

    $$
    d\vec{F} = – \rho g h \hat{n} dA
    \tag{4}$$

    No caso dessas paredes inclinadas, a área é simplesmente $A = b l$, logo podemos escrever o elemento de área como

    $$
    dA = bdl
    \tag{5}$$

    Entretanto, perceba que podemos escrever, a partir da figura, a seguinte relação:

    $$
    \sin{\theta} = \frac{h}{l}
    \tag{6}$$

    Ou seja:

    $$
    l = \frac{h}{\sin{\theta}}
    \tag{7}$$

    O que nos permite escrever, já que o ângulo é fixo:

    $$
    dl = \frac{dh}{\sin{\theta}}
    \tag{8}$$

    Portanto o elemento de área é:

    $$
    dA = b\frac{dh}{\sin{\theta}}
    \tag{9}$$

    Substituindo a equação 9 na equação 4, temos então:

    $$
    d\vec{F} = – \rho g h \hat{n} b \frac{dh}{\sin{\theta}}
    \tag{10}$$

    Integrando de ambos os lados, temos:

    $$
    \vec{F} = -\hat{n}\frac{\rho g b}{\sin{\theta}} \int h dh =-\hat{n} \frac{\rho g b h^2}{2\sin{\theta} }
    \tag{11}$$

    Lembrando da equação 7, podemos substituir $h^2$ na expressão acima por $h^2 = h l / \sin{\theta}$ resultando na expressão para a força em uma das paredes inclinadas:

    $$
    \vec{F} = -\hat{n} \frac{\rho g b l h}{2}
    \tag{12}$$

    Perceba, pela figura abaixo, que devido a inclinação da parede, podemos decompor essa força em duas componentes:

    Figura 1: Força normal à parede, com suas componentes e os ângulos envolvidos.

    As componentes horizontais de ambas as paredes se anulam (tal qual o caso das paredes que não são inclinadas); já as componentes verticais se somam. Ainda considerando a figura, podemos escrever o valor da componente vertical em cada uma delas como:

    $$
    F_{inclinada} = \frac{\rho g b l h}{2} \cos{\theta}
    \tag{13}$$

    Além disso, existe a força exercida sobre a parede inferior (a base), calculada no item anterior. Portanto, podemos somar essas 3 componentes (base e forças sobre as paredes inclinadas) e obter a força resultante:

    $$
    \vec{F}_R = \vec{F}_{base} + 2 \vec{F}_{inclinada}
    \tag{14}$$

    O que resulta em:

    $$
    \vec{F}_R = \rho g h b a – 2 \left(\frac{\rho g b l h}{2} \cos{\theta}\right)
    \tag{15}$$

    Ou seja, a força resultante é:

    $$
    \boxed{\vec{F}_R = \rho g h b( a – l \cos{\theta})}
    \tag{16}$$

    Para prosseguir com esse item, precisamos calcular o peso do lìquido. Ele é simplesmente dado pelo volume do reservatório multiplicado pela densidade $\rho$.

    O volume desse reservatório é obtido calculando a área de uma das faces verticais, e a multiplicando por $b$. Sabemos que um trapézio tem a área dada por:

    $$
    A = \frac{c + d}{2} h
    \tag{17}$$

    Onde $c$ e $d$ são as larguras das bases, e $h$ a altura. Considere a figura abaixo:

    Figura 2: Visão frontal da base do prisma.

    Sabemos a medida de uma das bases, a mais larga, que é dada no exercício como $a$. Nós precisamos então determinar o valor de $x$ na figura. Note que $x$ pode ser escrito como $x = a – 2y$, onde $y$ também é mostrado na figura.

    Sabemos que $y = l \cos{\theta}$, logo:

    $$
    x = a – 2 l \cos{\theta}
    \tag{18}$$

    Sendo assim a área é:

    $$
    A = \left(\frac{a + a – l\cos{\theta}}{2}\right) h = (a – l\cos{\theta}h)
    \tag{19}$$

    Multiplicando a expressão acima por $b$, nos dá o volume, multiplicando o volume por $\rho$ nos dá a massa de líquido, que multiplicada por $g$ nos dá o peso:

    $$
    \boxed{F_{peso} = \rho g h b (a – l\cos{\theta})}
    \tag{20}$$

    Ou seja, o peso do líquido é igual à força resultante sobre as paredes do reservatório.

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