Moysés Nussenzveig
Curso de Física Básica – 4a Edição
Capítulo 2: Noções de hidrodinâmica
Exercício 6:
Um tanque de água se encontra sobre um carrinho que pode mover-se sobre um trilho horizontal com atrito desprezível. Há um pequeno orifício numa parede, a uma profundidade h abaixo do nível da água no tanque… para ter acesso ao enunciado completo, cheque a disponibilidade do livro na biblioteca da sua instituição de ensino. O livro também pode ser adquirido através desse link.
Dados relevantes fornecidos no enunciado:
Item único:
Assim como no exercício anterior, sabemos que, no caso de massa variável, a força resultante é dada por:
$$
m \frac{dv}{dt} = \frac{dm}{dt}v + \vec{F}_{ext}
\tag{1}$$
Onde $m$ é a massa total, $v$ a velocidade, e $\vec{F}_{ext}$ as forças externas. Note que, nesse caso, não há nenhuma força externa, então o último termo é nulo. Além disso, como queremos a aceleração inicial (isto é, quando a massa de água não foi ejetada pelo furo), podemos dizer que a massa é $m = M_0 + m_0$. Ou seja, a soma da massa de água, do tanque e do carrinho. Logo, na situação inicial, podemos escrever
$$
(m_0 + M_0) a = \frac{dm}{dt}v
\tag{2}$$
Onde usamos que $a = \frac{dv}{dt}$. Sendo assim, a aceleração é dada por:
$$
a = \frac{1}{(m_0 + M_0)}\frac{dm}{dt}v
\tag{3}$$
Como sabemos que a massa de água inicial é $M_0$, podemos dizer que a massa como função do tempo é igual à massa inicial, $M_0$, menos $M(t)$, que é uma função que descreve como a massa diminui com o tempo devido a vazão:
$$
m(t) = M_0 – M(t)
\tag{4}$$
Como sabemos que a densidade da água é $\rho$, podemos dizer que $M(t) = \rho V(t)$, onde $V(t)$ é o volume. Já que o furo tem área $A$, podemos dizer que o volume é dado pela multiplicação dessa área pela velocidade da vazão vezes o tempo (imagine um cilindro de área $A$ e altura $vt$, por exemplo). Então podemos escrever:
$$
M(t) = \rho v At
\tag{5}$$
Logo a expressão para $m(t)$ se torna:
$$
m(t) = M_0 – \rho v At
\tag{6}$$
Sendo assim, a derivada de $m$ em relação ao tempo é:
$$
\frac{dm}{dt} = – \rho v A
\tag{7}$$
Usando esse resultado na equação 3, temps:
$$
a = -\frac{\rho A v^2}{(m_0 + M_0)}
\tag{8}$$
Nos resta apenas determinar o valor de $v$. Podemos escrever a equação de Bernoulli para o topo do líquido:
$$
h + \frac{v_0^2}{2g} + \frac{p_0}{\rho g} = C
\tag{9}$$
Onde $p_0$ é a pressão atmosférica. Sabemos que a velocidade no topo é desprezível, então a equação se torna:
$$
h + \frac{p_0}{\rho g} = C
\tag{10}$$
Da mesma forma, podemos escrever a equação de Bernoulli para o jato d’água assim que ele sai do tanque:
$$
z_1 + \frac{v^2}{2g} + \frac{p_0}{\rho g} = C
\tag{11}$$
Como medimos $h$ a partir da altura do furo, $z_1 = 0$, portanto:
$$
\frac{v^2}{2g} + \frac{p_0}{\rho g} = C
\tag{12}$$
Igualando as equações 10 e 12, temos:
$$
h + \frac{p_0}{\rho g} =\frac{v^2}{2g} + \frac{p_0}{\rho g}
\tag{13}$$
O que nos dá a expressão para $v^2$:
$$
v^2 = 2gh
\tag{14}$$
Utilizando esse resultado na equação 8, temos a resposta:
$$
\boxed{a = -\frac{2 gh \rho A }{(m_0 + M_0)}}
\tag{15}$$




